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[SÉRIE CPI] Depoimento do proprietário da LCM Máquinas expõe contradições e indícios de intermediação em licitação

Por Daniel Bezerra | 28/04/2026

Lucas Magalhães admite que aliado do prefeito operou sistema de lances em seu nome e apresenta versões conflitantes sobre a aquisição da máquina.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal de Três Marias ouviu, na condição de investigado, Lucas Soares Magalhães, único sócio da LCM Máquinas Ltda. O depoimento expôs fragilidades na autonomia da empresa e confirmou que a participação no processo licitatório contou com atuação direta de terceiros ligados ao entorno do governo municipal.

1. A Confissão da Operação Externa

Um dos momentos mais graves da oitiva ocorreu quando o investigado admitiu que não operou o sistema de lances da licitação que venceu. Lucas confirmou ter entregado sua senha pessoal e delegado a tarefa a Max Lamounier, empresário citado na denúncia como elo entre o prefeito e fornecedores.

“Quem operava seu sistema no processo licitatório era o Max? Sim”, confirmou Lucas [00:22:17].

Ele alegou que acompanhou o processo, mas reconheceu que era orientado sobre os valores durante a disputa [00:22:12].


2. O Conflito de Datas e Notas Fiscais

A defesa da LCM sustenta que a máquina foi adquirida em junho de 2024 como “sucata” por R$ 60 mil [00:13:49]. No entanto, o próprio depoimento expôs inconsistências quando confrontado com a documentação:

Ausência de comprovação de custos:
O investigado afirmou ter investido entre R$ 100 mil e R$ 150 mil na reforma da máquina [00:14:13], mas admitiu não possuir notas fiscais, justificando que “com nota fiscal tudo é mais caro” [00:14:53].

Divergência na emissão de nota:
Questionado sobre uma nota fiscal de julho de 2025, Lucas declarou que o documento só foi emitido após a quitação da dívida, apesar de afirmar que a compra teria ocorrido um ano antes [00:16:30].

3. O Surgimento da Empresa e a “Indicação”

Diferente do que sugerem os princípios de competitividade da Administração Pública, a entrada da LCM no governo teria ocorrido de forma dirigida. Lucas relatou que foi procurado diretamente por uma representante de uma cooperativa (Via Cops) antes mesmo de ter a empresa formalizada.

“Ela me falou dessa demanda, que eu teria que registrar a empresa e tudo. Aí que eu registrei” [00:08:12].

A LCM Máquinas foi aberta formalmente em 24 de abril de 2025, e o primeiro contrato com a prefeitura ocorreu no dia seguinte, 25 de abril. Atualmente, a prefeitura é a única cliente da empresa [00:04:53], com faturamentos mensais que chegam a R$ 45 mil [00:09:40].

4. Vínculos com a Gestão

O investigado confirmou que já foi funcionário direto do prefeito Danilo Barbosa Rezende, atuando na frota de caminhões do gestor [00:14:32].

Apesar de negar qualquer interferência externa na empresa, também admitiu que, após o pregão, o abastecimento da máquina passou a ser realizado e controlado pela própria prefeitura [00:21:04].


Enquadramento Técnico

As declarações reforçam a linha apresentada na denúncia sobre a possível utilização de interposta pessoa. A admissão de que o sistema de lances foi operado por terceiro, somada à ausência de comprovação documental relevante sobre a reforma do maquinário, se insere no contexto de apuração de possíveis irregularidades no processo licitatório.


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